A EDIÇÃO Nº 11.382, DE 22 DE SETEMBRO DE 2002(DOM), PELA PRIMEIRA VEZ, O MOSSOROENSE FOI AS RUAS DE MOSSORÓ COLORIDO, COMO MOSTRA A MANCHETE NA FOTO ABAIXO - "NAS CORES DA FÉ"
ESTE LINK VAI DESTACAR A TRAJETÓRIA DO JORNAL O MOSSOROENSE, FUNDADO EM 17 DE OUTUBRO DE 1872 - O MAIS ANTIGO, EM CIRCULAÇÃO, NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
AQUI RN
STPM JOTA MARIA
quinta-feira, 23 de abril de 2015
DORIAN JORGE FREIRE - 1975 - 1983
O momento chegou na noite de quarta-feira(22 de abril de 2005) e a
emoção tomou conta do adeus de Dorian Jorge Freire, ontem, quando mais de 300
pessoas compareceram ao velório do jornalista que se estendeu durante todo o
dia em sua residência.
Entre as pessoas que
estavam presentes se encontravam políticos, jornalistas, artistas, além de
curiosos que desejavam dar o último adeus a aquele que é considerado um dos
maiores nomes do jornalismo do Rio Grande do Norte em todos os tempos. Entre as
personalidades estava a prefeita Fafá Rosado, a deputada federal Sandra Rosado,
a deputada estadual Larissa Rosado, o pesquisador Raimundo Brito, ex-ministro
do Tribunal Superior do Trabalho, Francisco Fausto, entre outros nomes.
Dorian morreu de
falência múltipla dos órgãos às 21h50 da última quarta-feira, aos 71 anos,
deixando como viúva dona Maria Cândida Freire com quem casou em 25 de maio de
1954, além de cinco filhos: Maria da Saudade, Raíssa, Jorge Freire, Dorian
Filho e Luís Fausto.
Ele se tornou jornalista
em 1948 quando começou a trabalhar em O Mossoroense e desde então não
parou de expandir a sua carreira, chegando a trabalhar em periódicos no eixo
Rio/São Paulo, onde sofreu perseguições da Ditadura Militar nos anos 60/70.
Em 1975, retornou à
terra-natal assumindo a direção de O Mossoroense, onde ficou até 1982 quando
ingressou na imprensa natalense, trabalhando na Tribuna do Norte até se
aposentar em meados da década de 80. A partir daí contribuiu como articulista
do jornal Gazeta do Oeste até a internação que culminou com sua morte.
Entre suas principais
obras estão 'Os Dias de Domingo' e 'Veredas do Meu Caminho'.
VIDA E
FEITOS DO MESTRE DORIAN JORGE FREIRE
Com um estilo ousado,
polêmico e inconfundível de fazer notícia, Dorian Jorge Freire sempre representou
um marco no jornalismo e na literatura potiguar. O jornalista era muito
criterioso em seus escritos.
O escrevinhador foi o
sétimo diretor do jornal O Mossoroense, desde a sua fundação em 1872. Ele
assumiu o cargo no período de 1975 a 1983. O jornalista teve uma passagem
bastante significativa na imprensa potiguar. Foi colaborador dos seguintes
impressos: Última Hora, Correio Paulistano, Diário Carioca, Tribuna do Norte,
Diário de Natal, Editora Abril - revistas Escola e Saber.
Nos últimos 20 anos,
Dorian Jorge Freire escrevia uma coluna dominical homônima no caderno cultural
Expressão, do jornal Gazeta do Oeste. O seu primeiro contato com o meio
jornalístico aconteceu oficialmente aos 16 anos, onde teve como 'escola' o
jornal O Mossoroense. A partir daí, ele criou gosto e fez parte da imprensa
paulista e carioca. Em São Paulo, enfrentou a ditadura militar e lançou o
jornal alternativo de circulação nacional, Brasil Urgente. Em 1993, o
jornalista Dorian Jorge Freire alcançou o primeiro lugar no ‘Prêmio Esam de
Jornalismo’.
Durante sua vida
jornalística, o talentoso Dorian entrevistou várias personalidades do mundo
literário, da política e da cultura brasileira e internacional. Dentre eles,
estão: Aldous Huxley, autor do clássico "Admirável Mundo Novo";
Jean-Paul Sartre, Prêmio Nobel de Literatura, autor do best-seller da filosofia
"O Ser e o Nada" e dos livros "O Muro", "Com a Morte
na Alma", "Sursis" e "As Palavras". O jornalista
também teve contato com o líder cubano Fidel Castro, Elizabeth II, Craveiro
Lopes, Raymond Cartier e Greene.
ORIGEM
Dorian nasceu no dia 14
de outubro de 1933, em Mossoró. Ele era filho de Jorge Freire de Andrade e
Maria Dolores. A paixão pela leitura e escrita estava no sangue. O avô, João
Freire, era jornalista no Ceará e fundou o jornal "O Jaguaribe".
Jorge Freire de Andrade, seu pai, fundou em Mossoró revistas literárias e
participou efetivamente dos movimentos intelectuais da cidade, na época.
Dorian lançou em 1991 os
livros Veredas do Meu Caminho e Dias de Domingo. A sua terceira edição foi
publicada pela Coleção Mossoroense, através do projeto Rota Batida, da Petróleo
Brasileiro S/A (Petrobras).
A sua última aparição em
público aconteceu durante a entrega do Prêmio de Jornalismo da Petrobras onde,
mais uma vez, teve o seu nome lembrado em uma homenagem aos seus 57 anos de
jornalismo, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.
PRAÇA
DA REDENÇÃO TERÁ AGORA NOME DO JORNALISTA
A prefeita Fafá Rosado
assinou, no dia 22 de abril de 2005, decreto denominando a antiga Praça da
Redenção, situada entre as ruas Almeida Castro e 30 de Setembro, de Praça
Jornalista Dorian Jorge Freire.
Sobre Dorian Jorge
Freire, a prefeita Fafá Rosado destacou: "O lado inquieto e observador do
respeitável escritor e jornalista através do olhar permanente à sua
terra-natal, tornaram-se imortais em seus textos. O sentimento de paixão pela
vida e pela maneira de amar Mossoró foi o sustentáculo de sua existência",
disse.
A praça se localiza
justamente em frente à casa onde morava o jornalista até seus últimos dias.
"Dorian era um historiador, um poeta que tinha uma vida marcante. Tinha a
simbologia de morar em frente a uma praça que tem um monumento à liberdade, sem
dúvida é um nome que ficará em nossa história", concluiu.
Hoje será publicado o
decreto que denomina a antiga Praça da Redenção em Praça Jornalista Dorian
Jorge Freire.
DORIAN
FOI REFERÊNCIA À IMPRENSA POTIGUAR
De forma bastante
atuante, Dorian também foi membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, do
Instituto Cultural do Oeste Potiguar (Icop) e da Academia Mossoroense de
Letras, além de ter recebido várias homenagens de diversas instituições.
O seu nome é lembrado
através de uma rua do bairro Nova Betânia, do auditório da Estação das Artes
Eliseu Ventania e do Centro Acadêmico (CA) do curso de Comunicação Social da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
O coordenador da
Assessoria de Imprensa do Centro Acadêmico de Comunicação Social, Franklin
Fernandes, informa sobre o luto do CA em razão do falecimento do seu patrono.
"A vida de Dorian
Jorge Freire é espelho para todos os estudantes, pela sua ética profissional,
pelas suas palavras sempre bem-vindas e pela dedicação e amor com os quais
exercia essa profissão tão magnificente", relata Franklin.
O presidente do Centro
Acadêmico Jornalista Dorian Jorge Freire, da Uern, Alessandro Oliveira, lembra
que está decretado luto oficial de cinco dias a começar por ontem.
A jornalista Lúcia Rocha
escreveu o seguinte texto sobre a vida do mestre: "Dorian nasceu em berço
literário, sendo um leitor voraz desde a infância. Ainda rapaz, começou a
escrever para jornais, assinando artigos sob o pseudônimo de Fenelon Gray. Logo
levantou vôo para a capital paulista, onde atuou como repórter, editor, diretor
e publicitário. Ali também cursou a faculdade de Direito. Na região sudeste,
Dorian tem colecionado amizade com jornalistas, poetas e escritores de renome.
Dono da biblioteca mais invejada da cidade, com mais de dez mil títulos,
começou a montá-la na infância, seguindo exemplo dos pais. Dorian morre de
saudades da capital paulista, onde passou a ditadura: não foi preso, não foi
torturado, mas fecharam-lhe as portas para o mercado de trabalho; também atuou
na imprensa natalense, mas sempre retornava para São Paulo, terra que nunca
esquecera. Com três livros publicados, Dorian escrevia semanalmente uma coluna
na Gazeta do Oeste, onde recordava os amigos e comentava os fatos do dia-a-dia
da cidade, do país e do mundo".
JORNALISTAS
FALAM DE MOMENTOS IMPORTANTES DE DORIAN JORGE FREIRE
Durante o velório de
Dorian Jorge Freire, os jornalistas da cidade falaram sobre a importância que o
jornalista teve na formação de suas carreiras e de momentos marcantes em que
ele esteve envolvido.
Bem antes de ser
homenageado pelos estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (UERN) emprestando o seu nome para o Centro
Acadêmico do curso, a primeira turma de jornalismo da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN) realizou uma homenagem para o jornalista em meio a
Ditadura Militar, que tanto o perseguiu, como relata o jornalista Aluísio
Lacerda, que estava representando a governadora Wilma de Faria no velório.
"Tivemos a ousadia de homenagear Dorian em pleno regime militar, o que
causou incômodo à Reitoria da Universidade que tentou evitar que realizássemos
nosso intento", rememora.
O secretário de
Comunicação da prefeitura de Mossoró, Carlos Skarlack, conta que Dorian
participou de um dos momentos mais importantes de sua carreira. "Quando eu
estava na editoria da Gazeta do Oeste recebi um fax de Dorian, que se
recuperava de um problema de saúde, se colocando à disposição do jornal para
retomar a sua coluna. Naquele momento me senti privilegiado por receber de
volta um jornalista como ele", lembra.
Para o jornalista Carlos
Santos, Dorian o influenciou desde a sua infância. "Quando falo em Dorian
vem à minha memória um aspecto que não se limita apenas à parte profissional,
mas à minha infância como leitor da coluna 'Cota Zero' em O Mossoroense.
Portanto tenho toda uma vida vinculada a seu talento", conclui.
O chargista Túlio Ratto,
dono da revista Papangu, último meio de comunicação a entrevistar o jornalista,
falou sobre a importância de Dorian para a sua revista. "Foi um orgulho
para a revista entrevistar uma referência para a área como ele", comenta
FONTE – O MOSSOROENSE, DE 23 DE ABRIL DE 2005
LAURO ESCÓSSIA
Lauro Escossia, natural de Mossoró-RN, 14 de março de 1905 e faleceu no
dia 19 de julho de 1988. Professor,
jornalista e escitor. Considerado decano da imprensa mossoroense. Seu amor ao
jornalismo e ao Mossoroense, o levava algumas vezes a fazer o próprio jornal,
sendo repórtes, redator, gráfico, além de Direto. Antes já havia trabalhado no
jornal como repórter no mesmo periódico tendo como ponto alto em 1927 quando
foi o responsável pela cobertura da invasão do bando de Lampião a capital do
Oeste, ocasião em que ele conseguiu entrevistar o cangaceiro Jararaca antes
mesmo que o mesmo fosse interrogado pela polícia. Este é considerado um dos
maiores furos de reportagem da história da imprensa potiguar, graças a isso o
jornal, com 5.400 exemplares vendidos, atingiu a maior vendagem de sua
história.
Lauro
da Escóssia casou-se duas vezes a primeira delas com Dolora Azevedo do Couto
Escóssia com quem teve 8 filhos, após a morte dela casou com Lourdes Alves da
Escóssia adotandos seus filhos, com ela se manteve casado até a sua morte em 19
de julho de 1988. "Lauro foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida,
foi meu amigo, companheiro e marido. Tanto é que após a sua morte nunca mais
casei. Em nossa vida nunca houve cansaço nem de minha parte nem da dele. Em
minha mente está sempre a impressão de que ele está viajando, quando isso
acontece sinto muita paz", conta sua esposa Lourdes Escóssia.
Segundo
seus familiares Lauro da Escóssia era dono de um temperamento muito explosivo.
"Lauro trazia no sangue o arrebatamento e a impetuosidade de seu avô,
Jeremias. Panfletário e sem medo herdou tantos traços de identificação,
revelados nas suas ações e reações, por vezes bruscas, senão violentas, que
sempre reclamam conduta irredutível, coragem e espírito de deliberação",
assim foi descrito pelo ex-prefeito de Mossoró Raimundo Nonato em depoimento para
o livro 'Escóssia' de autoria do jornalista Cid Augusto.
Apesar
do temperamento forte Lauro da Escóssia era um homem que não guardava rancores.
"Papai estourava, mas dali a dois minutos já estava bonzinho",
revelou sua filha Margarida Escóssia.
A sua
relação com os filhos era muita aberta e pautada pelo carinho. "Papai era
um homem à frente de seu tempo absorvia muito bem as mudanças e era muito
atencioso com todos nós, a única ressalva que ele tinha com a gente era quando
a gente ia para a churrascaria O Sujeito (onde hoje se localiza o clube
Carcará), como ele nunca podia ir e mamãe sempre ia conosco ele dizia brincando
que a gente seria levado pelo rio e parar em Porto Franco (atual
Grossos)", conta Margarida.
Essa
boa relação com os filhos se repetiu com os seus netos também, a recíproca por
parte dos netos era verdadeira tanto que todos eles lhe chamavam de Vôzinho.
"Me recordo como se fosse hoje das conversas do meu avô, ele era um homem
muito centrado em si, pensava um pouco pra falar, mas suas palavras eram sempre
sábias, tinha o poder de nos dar segurança quando era abordado sobre qualquer
assunto. Lauro da Escóssia não foi só um grande jornalista, ele foi também um
grande avô e sempre encontrava hora para nós, por isso todos nós netos chamavam
ele de Vôzinho", afirma Daniele da Escóssia.
Apesar
de fazer história em Mossoró Lauro da Escóssia era um homem de hábitos simples.
"A falta de vaidade de Papai era tão grande que ele fazia questão de ter
apenas um par de sapatos. O prato preferido dele era bolo de leite, diabético,
ele pagava para a empregada comprar o bolo escondido da gente", conta
Margarida da Escóssia.
Lauro
não fazia distinção entre seus amigos tanto podia ser amigo dos mais ilustres
como dos mais simples. A prova disso é que duas de suas grandes amizades foram
o ex-governador Dix-sept Rosado (falecido em 1951) e o pedreiro Francisco
Constantino o 'Chico Boseira'. "A amizade de papai com Dix-sept era desde
os tempos de prefeitura, quando ele foi secretário, a fidelidade era tamanha que
um dia o ex-governador pouco antes de falecer pediu para papai guardar um
bilhete em segredo o que ele fez até o final da vida. Já com Chico era uma
amizade muito divertida, eles conversavam e se davam muito bem, ele brincava
muito com Chico chamando ele de poliglota porque ele fazia de um tudo era
pedreiro, encanador e eletricista", revela Margarida.
'Chico
Boseira', ainda está vivo e relembra a sua relação com o amigo. "Quando
lembro do meu amigo, vem duas coisas a minha memória: a primeira era que ele
dizia que eu era seu filho mais velho e a segunda eram as nossas conversas
sempre descontraídas ele sempre pedia para eu contar anedotas e fazer cantigas
populares. Até o meu apelido quem colocou foi Lauro, antes me chamavam de
'Chico Roseira' porque todos jardins que plantava davam certo, uma vez ele
pediu para eu fazer um para um na sua casa e as plantas morreram e ficou tudo
sujo aí ele mudou o meu apelido", diz.
O seu
grande prazer nas horas de descanso era ir ao Sítio Senegal, localizado em
Alagoinha, que levava esse nome por ser muito seco. Lá ele ia tomar conta das
cabras e galinhas que criava.
Nos
últimos dias de sua vida, Lauro da Escóssia esteve muito doente, mas não perdia
o bom humor. "Ele sempre estava de bom humor independente das doenças das
doenças que lhe atingiam", conta a viúva Lourdes
Escóssia.
FONTE – O MOSSOROENSE E RUAS E PATRONOS DE MOSSORÓ, DE RAIMUNDO SOARES
DE BRITO
AUGUSTO ESCOSSIA
Natural
de Mossoró-RN, nascido em 14 de janeiro de 1900 e faleceu em 6 de julho de
1951. Jornalista. Foi diretor de o Mossoroense no período de 1930 a 1932.
Prefeito de Mossoró de 19 de fevereiro de 1946 a 3 de outubro de 1946. Ocupou
vários eletivos e de nomeação, dentre estes o de suplente de Juiz Federal.
Foi ainda membro da Intendência Municipal,
sendo eleito vice presidente no período de 1937 a 1941. Nomeado tesoureiro da
prefeitura municipal, ocupou esse cargo até a data de seu falecimento. Patrono
de rua na cidade de Mossoró, a conhecida rua do Shopping de Mossoró
FONTE –
RUAS E PATRONOS DE MOSSORÓ, DE RAIMUDNO SOARES DE BRITO
FOTO - O MOSSOROENSE
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